terça-feira, 30 de setembro de 2008

Finalmente

Salve povo, tudo certo?

Finalmente vou poder voltar a atualizar o site com mais freqüência.

Nesse último mês eu tive que deixar o blog de lado porque ele teve um filho. Nasceu o Poesia e Palavrão, meu primeiro livro. Consegui finalizá-lo essa semana e agora estou atrás de editoras. Ele é uma reunião de algumas poesias daqui do site com várias ainda não publicadas, mas que buscam uma unidade de sentido quando reunidas. Aquela linha meio mela-cueca, meio mal-criada que sempre tento trazer pra cá...

Já o enviei pra algumas editoras e estou no aguardo de uma posição. Não faço idéia como o mercado editorial vai responder às minhas maluquices. Assim que eu receber um feedback vou ver a possibilidade de disponibilizá-lo pra download, ou talvez enviá-lo para os e-mails daqueles que sempre estiveram por aqui dando uma força, enfim...

Obrigado pela paciência e pelo carinho de todos vocês! Post novo até sexta-feira!

Beijos e abraços!

Henrique Fogli

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Muito obrigado!

Salve povo!

Em março desse ano, mais de um ano depois do seu início, o Poesia e Palavrão completou 10.000 visitas.

Hoje, pouco mais de 6 meses depois, ele completa 20.000.

Pode não significar nada pra ninguém, mas pra mim é motivo de orgulho. Muito obrigado a todos vocês que sempre aparecem por aqui e compartilham sua atenção e suas palavras comigo!

Abraço!

Henrique Fogli

terça-feira, 16 de setembro de 2008

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

sábado, 9 de agosto de 2008

O medo da saudade

As pessoas têm medo de sentir saudade. Ela é taxada de demônio durante nossas vidas. Saudade geralmente se sente de quem morre, de quem foi embora pra nunca mais voltar, de algo irreversível. Crianças, por exemplo, têm dificuldade em entender isso e choram ao menor sintoma de saudade. Crescemos pensando que isso é normal, que ela foi feita pra machucar, pra deixarnos vazios. A saudade é talvez a cara mais cruel dessa entidade que costumam chamar de destino. Essa é a embalagem na qual a saudade é vendida por aí.

Nunca ninguém para pra pensar na essência da saudade. Ela só existe porque algum sentimento sublime nasceu dentro de nós. E, se esse sentimento não morre, é porque a saudade o mantém vivo. Mas o egoísmo humano transforma isso em dor porque não sabe lidar com a perda, não entende que tudo na vida é feito de momentos e fases, de abrir e de fechar de mãos.

A saudade nos preenche; nenhuma vida pode ser mais vazia do que aquela que não tem saudade de nada.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

O fantástico plano chinês

O dia é 8 de agosto de 2008. Os jogos olímpicos de Beijing têm sua cerimônia de abertura no estádio carinhosamente chamado de Ninho de Pássaro, dada sua arquitetura peculiar. Cerca de 90.000 pessoas - na maioria nativos - aguardam ansiosos o que promete ser a mais incrível cerimônia já feita na história do evento.

Às 8 horas e 8 minutos começa o espetáculo. Um silêncio toma conta do público. É tudo muito lindo, cheio de fogos de artifício, shows de dança e música típica. Após algumas palavras das autoridades chinesas as delegações adentram o palco. O mundo todo assiste.

8 a 8, com uma coreografia ridícula, atletas dos principais países do mundo se colocam em evidência, cheios de orgulho, representando suas nações. Isso mexe com seu povo, que se sente honrado, importante e eufórico. Todos ali estão para mostrar a força, a coragem, o valor que cada uma daquelas bandeiras significa. A nata da raça. Todos aqueles que superam seus limites; os mais rápidos, os mais fortes, os mais preparados, esses estão ali. E estão contentes, acenando e sorrindo para quantas câmeras enxergarem.

Após a apresentação das nações participantes, o primeiro-ministro chinês faz um pronunciamento à sua nação de exatamente 8 minutos. Este não é traduzido como de costume, nada que não se esperasse de um país nacionalista como a China. Sua voz tem um tom enérgico e ríspido. Os chineses nas arquibancadas parecem hipnotizados e aplaudem ferozmente ao término do seu discurso. Isso feito, todos eles se agacham, abrem um pequeno compartimento logo abaixo de seus assentos e sacam rifles de fabricação nacional.

Os turistas se alvoroçam, entram em pânico. Vários tiros são ouvidos. As delegações tentam retornar aos corredores do estádio mas todos estão bloqueados por soldados chineses. Os estrangeiros que assistiam ao evento são todos executados, mulheres e crianças primeiro. Os homens são submetidos a breves porém cruéis torturas, tudo mostrado ao vivo pela tevê estatal chinesa, canal 8 em Pequin.

Os atletas ficam encurralados no centro do estádio, cercados por armas. Nenhum esboça qualquer reação. O primeiro-ministro chinês retorna ao seu palanque. Notícias de bombardeio no Japão, nos Estados Unidos e na Coréia do Norte correm o mundo. As lideranças do planeta ficam atônitas diante do dilema moral de extinguirem todos seus melhores atletas num eventual contra ataque. Colônias chinesas em toda parte revelam-se milícias armadas, todas treinadas para guerrilha, com reféns em diversos países. O mundo não sabe como reagir. A China declara guerra a todos os não chineses dizendo que a destruição só cessará dado o imediato cumprimento de todas as suas exigências.

Curiosamente, elas são 8.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Gênese

O seu Empírico sempre foi muito ponderado, sujeito muito tranquilo. Meio sidudo às vezes, nada além de seu jeito contido de falar. Tratava qualquer um com cordialidade, sorrindo simpático sem desgrudar os lábios. Observava as pessoas ao seu redor com minudência, reparando nos hábitos e nas manias de quem lhe cruzasse a vista. Era fascinado pela singularidade dos seres huhmanos.

Algum tempo atrás o seu Empírico casou com a dona Nonsense. Casaram na praia, ao som de atabaques e violinos. Ela organizou toda a cerimônia, desde os convites em folhas de carnaúba, até os canapés de pimenta com alho. O marido só dava de ombros. Eu nunca vi isso, e sorria. A dona Nonsense é gostosa, fez uma lipo, botou silicone, fala sozinha, tropeça sozinha e coleciona gravatas.

Casal harmonioso. Tiveram um filho, mas ninguém nunca soube qual foi a transa que o concebeu. Também, por que saberiam?

Pode ter sido na última transa da lua de mel de um mês. Tinham passado o dia todo caminhando, voltaram ao hotel por volta das sete horas da noite. Ainda era claro. Precisavam estar prontos para saírem às dez. Pouco tempo. Banho. Mala. Cansaço, enfim. Transaram naquela noite como se cumprissem um protocolo. Estafados, com pressa, pensando em traveller-cheques e lembrancinhas. Ele gozou com dificuldade. Ela sequer fingiu. Levantou-se de cima do marido e foi tomar banho.

Quem sabe foi naquela quinta-feira, noite de muito carinho. A esposa chegou do trabalho - trabalhava espantando pombas de uma praça no centro da cidade, com seu gavião de estimação - e encontrou a casa toda apagada. Seu Empírico esperava-a com uma mesa de jantar posta, à luz de velas de diversas cores.

- É uma noite especial?
- Claro querida!
- Por quê? O que celebramos hoje?
- O hoje?
- O hoje?
- Claro!
- E por que o hoje é especial?
- Por que estamos nós dois aqui, juntos. E eu te amo!

Ela se emocionou com o gesto gratuito de amor do marido. Trocaram beijos emocionados, ambas bocas sorrindo deliciadas uma com a outra. Jantaram, tomaram vinho, dançaram, tomaram champagne. Transaram com intimidade, do jeito que ela mais gostava primeiro.

Aquele carnaval. Bem provável que tenha sido naquele carnaval, quando eles terminaram. A briga foi feia. Nunca tinham se estapeado. Você tava olhando pra bunda dela, não tava? Não. Ah não tava!? Não, porra! Seu cachorro! Ela estava um pouco agressiva, nervosa, talvez por causa da cocaína que disseram que viram ela cheirar com um cara no banheiro. Trocaram ofensas das mais canalhas, ofensas de quem conhece o outro e sabe como machucar. Ele levou um tapa na cara e a empurrou. Ela se levantou e foi pra pousada fazer as malas.

- Onde você pensa que vai?
- Pra longe de você.
- Sua maluca. Por que você quer foder esse casamento, heim? Primeiro foi o aniversário de casamento dos meus pais, depois o ano novo e agora isso?
Ela se cala, tentando engolir a vergonha que escapa pelas bochechas. Começa a chorar. Ele tenta consolá-la. Tira a mão de mim. Ele pula em cima dela, abrindo seus braços e pernas na cama. Beijos com fúria, no pescoço, no colo, beijos que tentam sugá-la inteira de uma vez. Palavras se espremem entre os estalos dos beijos. Eu ainda te amo, sua louca. Ela segue imóvel, olhos distantes e úmidos procuram algo. Algo que suavize dor, que volte no tempo, que faça dormir, que a deixe mais bonita. Sua feição estática só se transforma durante a penetração; as sobrancelhas. Arde. Seco. Com força. Ele a machuca, esquarteja enquanto copula. Por fim, expulsa seus instintos que dominavam seu corpo pra dentro dela, que soluça. Soluço de choro, de uma tristeza que não se entende.

Uma dessas transas, com certeza, foi responsável pelo filho único do casal. Ou filha, não se sabe. Tampouco se sabe se ele - ou ela - foi o melhor aluno da sala ano passado, foi promovido a gerente na loja de sapatos que trabalha, ou tenha pulado de pára-quedas. Cor dos olhos, altura, peso, comida favorita, nada disso. Especula-se muito quanto à sua idade e sua conduta. Más línguas dizem que usa drogas, que participa de rituais pagãos envolvendo sexo e alucinógenos naturais, boas línguas dizem que é moça direita e vai em igreja evangélica todos os dias. Ou será o contrário? Enfim, seu rosto é uma máscara sem cor ou detalhes, sobre um corpo sem forma e sem pano que o cubra. Um espectro, uma massa amorfa talvez, algo que espera um caminho, um roteiro para sua vida, uma escala de valores, um jogo de interesses, qualquer coisa. Espera uma mão divina que venha a decidir seu passado, escrever seu presente e escolher seu futuro.

Só se sabe seu nome: Personagem.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Novo capítulo

Salve povo!!!

Criei um novo capítulo no blog: Fragmentos. Nesse capítulo eu vou escrever alguns pedaços dos livros que sempre começo e nunca termino, ou daqueles que não consegui tirar da cabeça ainda. Logo abaixo já tem o primeiro. Como são trechos de um cenário maior, provavelmente não terão finais impactantes ou reviravoltas mil como as crônicas têm - muitos inclusive começarão sem pé e terminarão sem cabeça - mas acho que vale a pena divulgar.

Aguardo o feedback de vocês. Espero que gostem. Tenho andado meio relapso com o blog ultimamente, mas isso é culpa de um relaxo pessoal aliado a uma rotina de revisor de texto, o que me faz chegar em casa e sair correndo da frente de qualquer editor de texto que se possa imaginar.

Mas estamos aí...

Como sempre, obrigado a todos que passam por aqui e mais ainda àqueles que me ajudam a melhorar, deixando aqui suas palavras.

Boa semana pra todos.

Henrique Fogli