quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Aquele...

Salve povo!

Como muitos já perceberam, parei de escrever por aqui. Na real, parei de escrever em qualquer lugar.

Agora montei um blog com uns amigos e devo publicar algumas coisas por lá. Os outros que vão escrever são os caras mais geniais que conheço.

Visitem: texticuloscheios.blogspot.com

...abraço!

domingo, 5 de abril de 2009

Uma saudade vã nessa rosa ali no peito...

Saudade daquilo que joguei fora,
Agora que tudo virou um passado de memórias confusas,
de palavras doces e de abraços nus.

Muitos fragmentos
com desejos e farpas
um quebra-cabeça, que parece faltar peças,
que a criança aqui tem preguiça de montar
ou talvez seja medo
da imagem que ele forma.

Troquei as fechaduras.
Tranquei todas as portas.
Mas o gosto parece não sair da boca
e, embora isso atormente às vezes,
pior é não saber onde deixei as minhas chaves.

Hoje eu resolvi pensar na saudade,
que mora comigo e não vai embora.
De um amor que se mostrou curioso,
me mostrou indefeso
e não pediu muito.
(só pediu que eu não tivesse muito medo de mim mesmo).

Saudade de tudo que não tenho agora,
do futuro do pretérito
que joguei fora.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Inércia

O medo da vida me move
Leve, me vê, não me livra
Me varre. Revolta e revira
e nada.


Nascem emoções, nossas criações
Batem as portas e batem suas asas,
viajam pra onde seus sonhos voarem
e param.
Logo ali,
no tedioso mundo dos adultos.
Tudo isso em alto mar,
tubarões a nos cercar
e nada.

domingo, 8 de março de 2009

Alguma coisa acontece no meu coração...

O filme começa com um casal de velhos andando pelo centro de São Paulo... A mulher começa a falar dos tempos de outrora - quando cruzavam a famosa esquina da Ipiranga com a São João em décadas passadas - bem antes da decadência do centro velho de sampa. No meio da história dela, o velhinho coloca a mão no peito, diz que algo acontece no seu coração, e cai no chão, vítima de um infarte.

As pessoas ao redor tentam ajudá-lo de alguma forma, ligam pra ambulância, se alvoroçam. A mulher, no entanto, não se abala. Fica se dirigindo ao velho na maior naturalidade, pedindo pra que pare com aquela brincadeira que fazia havia tanto tempo. Tá assustando as pessoas, querido. deixa disso. A ambulância chega, o velho não reage, a velha não muda seu discurso. Colocam o velhinho na maca, e ela sempre do lado com a mesma conversa. As pessoas tentam explicar a situação pra esposa do moribundo, enquanto ela tenta explicar a brincadeira besta do marido. Passam por várias cenas; de médicos usando disfibriladores até o funeral em si, com a mulher cada vez mais inconformada do mau gosto da brincadeira do marido. Finalmente tiram-na do altar onde o corpo é velado, deixando somente a figura do falecido na cena, todos com a impressão de que a velha perdera a cabeça com a morte do marido. Quando a câmera finalmente chega no seu rosto, depois de varrer toda a sala, percebe-se o velhinho, subitamente, prendendo uma risada.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Boa ação

A desigualdade social nos apresenta contrastes radicais em diversos lugares e em curtos espaços de tempo. Favelas rodeando bairros da alta sociedade tornaram-se um exemplo até já banalizado desse tipo de ocorrência, assim como os mendigos que vivem nas ruas do Jardins em São Paulo, vizinhos de grandes prédios comerciais e apartamentos medidos em hectares.

Esse tipo de situação causa estranheza nas duas partes, seja por nojo ou por inveja. Raramente se vê uma interação entre esses dois universos - tão próximos e tão distantes - que não tenha um vidro de carro como mediador ou uma moeda como propósito. Mas, às vezes, algo sublime, uma quebra de paradigmas radical, pode ocorrer no desenrolar do dia-a-dia de qualquer um.

Como o caso da Joana, uma menina de rua que fugiu de casa por abusos do pai e surras da mãe. Mora na rua há alguns anos já. Vive de esmolas pois não confia nos abrigos da prefeitura, com medo de mais abusos de qualquer ser humano que compartilhe o mesmo espaço com ela por mais de 30 minutos. Assim, destinada à solidão, ela vivia seus dias na capital paulista até que numa noite em que não conseguia dormir, como providência divina, um filhote de vira-lata, meio misturado com beagle, cruzou o seu caminho, passando por entre os papelões onde dormia, em higienópolis. Mesmo sem ter o que botar na própria boca, a garota acolheu o filhote como um filho, simplesmente por encontrar naquela criatura indefesa o que de mais belo havia passado por sua existência. Passou a criá-lo desde então.

Mas sua vida mudou numa tarde, pouco depois do almoço. Ela e seu companheiro dormiam sob a sombra de uma árvore, próximos ao cemitério da Consolação. Um carro de luxo, daqueles blindados e possantes, parou num farol próximo ao santuário de Joana e do seu tesouro. Viu ambos dormindo. Estavam esquálidos e sujos, ela mais magra do que ele. Comovido pela cena, o homem encostou seu carro no meio-fio, desceu e aproximou-se. Teve a impressão de que sonhavam fundo, um sono pesado demais para se ter naquele ambiente. Tomou uma decisão que mudaria a vida de Joana para sempre. Chegando devagar para não assustá-los, pegou o filhote que dormia próximo aos braços de sua ama e levou-o consigo.

Ainda no carro, mudando sua rota para um veterinário, suspirou satisfeito pela sua atitude nobre e acariciou o bicho que ainda dormia.

- Tadinho...

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

S.O.S - Sarcasmo Ostensivo Satírico

Eles nos dão drogas para nos distrair
e as recriminam para nos culpar.
Eles tocam música pra gente ouvir
e gritam "pecado" se alguém dançar.

Inspiração sem abstração?
Empirismo sem evolução?
Eu na onda dessa passeata
de gravata? Só na contramão...

Contra toda uma multidão
que se encontra na solidão,
não se suporta, se maltrata
e se mata por desilusão.

Tanta gente geme junta
luta finge geme tonta
tanto quanto alguém dá conta?
tanto faz; ninguém escuta.

Todo mundo tem razão.
Quem diz sim
e quem diz não.
Os quatro pontos cardeais -
sorte demais -
são todos Nortes.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Nova empreitada!

Salve povo!

Seguinte: agora eu vou montar uma seção no blog que deve servir como uma espécie de oficina. Na verdade são alguns exercícios que eu tô montando e gostaria de ter um feedback. Acho que o Poesia e Palavrão pode ser útil nisso.

Vai funcionar da seguinte maneira: eu vou propor um exercício aqui e deixo um e-mail pra contato. Quem quiser fazer o exercício e mandar pra mim pra bater uma bola sobre o assunto, ótimo. Eu vou adorar trocar essa idéia com qualquer um que estiver interessado. Depois de um tempo eu coloco a minha resposta do exercício no site pra quem quiser comentar. Se alguém quiser que eu publique a sua resposta, sem problemas. Caso contrário, sem problemas também! Depois sugiro outros exercícios e assim a gente vai...

E até já pensei no primeiro exercício. Você vai ter que criar um super-herói. Mas não dar um nome pra ele e era isso; não! Você vai pensar em tudo: qual o nome dele, sua identidade secreta, seus poderes e seu ponto fraco; vai ter que pensar em por que ele combate o crime, se é que ele combate. Ele órfão como tantos outros? Ele tem uma grande paixão? E a cidade em que ele mora? Fica em qual planeta?

Enfim, faça um texto apresentando o seu super-herói. Descreva-o minuciosamente, mas não seja prolixo. Esse texto desse post, por exemplo, deve ter mais ou menos uns 2000 caracteres. Algo em torno de 5000 caracteres, no máximo, deve bastar. Pense também em como contar essa história; você pode simplesmente apresentá-la, narrando-a oniscientemente, ou você pode escrever o diário do seu herói. Você pode ainda transformá-lo num personagem de histórias em quadrinhos, contando a história de um pai que conta a história de um super-herói pro seu filho, etcéteras. Apenas conte essa história, da maneira que achar melhor, por mais maluca que ela possa parecer.

Enviem seus super-heróis para henriquefogli@gmail.com e por favor, coloquem "Meu Super-Herói" no título do e-mail. Acho que em uma semana devo continuar os exercícios. Os outros textos também continuam. Espero que gostem de mais essa maluquice. Nos falamos!


terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Às bandeiras:

fogo.

Em jogo de tabuleiro
cada um é uma cor.

Todo mundo quer ganhar
seja quando e como for.

Não passam de cores e formas
perdidas em valores e normas
que montam o quebra-cabeça
idiota
que alguns chamam de tradição.

São as bandeiras que erguem os muros
e as barreiras alfandegárias.
Tornam povos obscuros.
Transformam-nos em párias.

Rótulos em mastros
que se identificam com um povo,
mas não contam nada de novo.
O dono da bandeira nunca a hasteia;
manda hastear.

A velha história do nosso mundo;
todo rei sabe que precisa de seus peões... e sabe que paga barato.
Seja você um diplomata -
ou uma persona non grata.